Ser Igreja Doméstica – Dar testemunha da luz

Um convite a fazer da vida um lugar de beleza para que que aí possa nascer uma testemunha de Cristo e a partir desse lugar possas levar a luz aos outros.

Um convite a fazer da vida um lugar de beleza para que que aí possa nascer uma testemunha de Cristo e a partir desse lugar possas levar a luz aos outros.

A proposta de cada Domingo pode ser feita em família, mas também por pequenos grupos cristãos ou de amigos. Pode também ser adaptada à realidade em que cada um se encontre, sendo usada como fonte de inspiração sem a necessidade de percorrer todos os passos aqui propostos.

Proposta em PDF

1. Enquadramento

2. Pôr a mesa

Preparar o espaço que habito para receber Jesus na minha casa. Leio atentamente a proposta que se segue. Limpo a casa, lavo a roupa, deixo tudo bonito, mais que arrumado, bonito. Contemplo o espaço à minha volta e tomo consciência que Deus o criou para eu usufruir dele, por isso cuidar dele é um dever.
Preparo um canto de oração, com uma vela, uma cruz e uma imagem com a qual te identifiques, por exemplo o Cristo do Sorriso.
Procuro também esvaziar o meu íntimo, e ficar nu de preocupações e barulhos do dia-a-dia.
Convido alguém para rezar comigo, os meus pais, irmãos, namorado(a), esposo(a), um amigo ou até um colega de casa. Se não há possibilidade de ser presencial, faço-o virtualmente por zoom ou skype.

3. Saborear a palavra – Tempo pessoal

Colocamo-nos em silêncio e deixamos que o nosso coração se acalme rezando lentamente “Quem a Deus tem nada lhe falta! Só tu me bastas, Senhor!”

Tomando consciência da presença de Deus, até quando nos reunimos virtualmente, agradecemos um gesto, palavra, pessoa ou graça concedida.

Depois, com calma, lemos o Evangelho:

Do Evangelho de São João

Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. Foi este o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram, de Jerusalém, sacerdotes e levitas, para lhe perguntarem: «Quem és tu?». Ele confessou a verdade e não negou; ele confessou: «Eu não sou o Messias». Eles perguntaram-lhe: «Então, quem és tu? És Elias?». «Não sou», respondeu ele. «És o Profeta?». Ele respondeu: «Não». Disseram-lhe então: «Quem és tu? Para podermos dar uma resposta àqueles que nos enviaram, que dizes de ti mesmo?». Ele declarou: «Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Endireitai o caminho do Senhor’, como disse o profeta Isaías». Entre os enviados havia fariseus que lhe perguntaram: «Então, porque baptizas, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?». João respondeu-lhes: «Eu baptizo na água, mas no meio de vós está Alguém que não conheceis: Aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias». Tudo isto se passou em Betânia, além do Jordão, onde João estava a baptizar.

-Os meus gestos são reflexo de Cristo?

-Quando me encontro com o outro levo luz e esperança?

-Deixo que Deus entre no meu coração e na minha vida sem reservas?

 

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Desenho de P. nuno Branco, sj

 

Para famílias com mais novos!

1.    Depois de ler o Evangelho lembramo-nos porque João foi reconhecido como testemunha de Cristo:

Porquê? Pelos seus gestos, porque batizava. Falamos todos e respondemos todos às seguintes perguntas:
-Que gestos de bondade fazes na escola com os teus amigos e professores? E em casa? Ajudas?
-Os pais ou os professores ralham muito contigo? Quando ralham, o que é que fizeste de mal?
-O que achas que Jesus faria no teu lugar? Seria igual e ouviria raspanetes?

2. João Baptista estava a batizar, e tu lembraste do teu batismo? Como foi? Quantos anos tinhas? Ainda tens a vela do teu batismo? Se não te lembrares pede que te mostrem fotografias e te contem como foi. Faz um desenho desse momento!

3. Em família reacende a vela do teu batismo e com ela acende a terceira vela da Coroa de Advento. Estamos perto, de conhecer o Salvador!

4. Acabamos por mostrar e partilhar histórias dos Batismos dos mais velhos e mais novos e estes últimos a explicarem o que desenharam.

5. Agradecemos os momentos que vivemos, uma palavra uma frase, uma fotografia…

Avé-Maria

4. Partilhar a Palavra

Neste momento de oração, começamos com o sinal da cruz “Em nome do Pai…” e dizemos pausadamente olhando para a imagem que escolhemos para o nosso canto de oração “Senhor nos teus braços eu me abandono, faz de mim o que quiseres, eu agradeço tudo o que fizeres, porque é para mais perto de Ti que vou”.

Se for mais fácil entrar em oração com uma música

Cristo em mim

Deixo que as palavras ecoem em mim.

Agora Agradeço. Dar graça faz-me ter consciência que tudo o que tenho me é dado. Ter consciência que Deus me ofereceu tudo o que possuo, este exercício torna-me mais humilde, mais frágil e pequeno e mais suscetível de conhecer a misericórdia de Deus.

Leitura e eco do Evangelho

À Luz desta passagem, e na minha humilde pequenez, deixo-me tocar pelas palavras de João. “Aquele que vem depois de mim, a quem não sou digno de desatar a correia das sandálias”. Faço-me ainda mais pequeno, tão pequeno como João se sente perante Jesus, e olhando para o lado sou capaz de ver os que arqueados mais precisam de Esperança e Luz; os que sofrem, os que choram, os doentes, os abandonados, os presos…

João diz que existe esperança e que a Salvação chegará. É desta Salvação que esperamos pacientes no Advento, pela Luz que nascerá no meio do escuro, numas palhotas, onde nasce o nosso Salvador.

Do meu olhar atento ao meu próximo pode nascer uma atenção e um cuidado, que se traduzem no reflexo de Cristo.

Paul Claudel, poeta e dramaturgo francês falava muito bem deste reflexo sublime de Deus nas nossas ações; “Fala de Cristo apenas quando te perguntarem! Mas vive de tal forma que te perguntem por Cristo!”; que tudo o que fizermos seja orientado por Deus e dirigido a Ele, e que os nossos gestos falarem por Cristo.

Partilha Breve

Onde é que este Evangelho me toca?

Ação concreta para miúdos e graúdos!
Penso em alguém que ao meu lado precisa de Esperança. Comprometo-me com uma ação concreta para levar Esperança. Uma mensagem, uma chamada, um postal ou uma visita, comprometo-me com o que for possível para mim.

Oiço (de novo) esta música, e deixo que no meu compromisso seja Cristo a falar.

Cristo em mim 

Pai nosso

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo

5. Praticar a palavra

Esta semana a Luz da Paz de Belém, acesa na Basílica da Natividade chega a Portugal. Procuro na minha paróquia ou na paróquia mais perto de mim a Luz, e levo-a ao outro. Levo para o trabalho, espalho-a pelo meu grupo de amigos ou levo-a a um vizinho que vive sozinho.

A Igreja concretiza-se em cada palavra amiga e em cada prece reza em prol do outro. Preparo uma pequena oração de Paz para rezar com quem recebe esta Luz, e ir com tempo e espaço interior para escutar o outro.

É nos pequenos gestos que somos revelados como testemunhas de Cristo e levamos Luz e Esperança aos lugares que habitamos.

Proposta em PDF

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Desenho P. Nuno Branco, sj

* Os jesuítas em Portugal assumem a gestão editorial do Ponto SJ, mas os textos de opinião vinculam apenas os seus autores.