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O Nome e a Coisa

Discutir a pertinência, necessidade e proporcionalidade de medidas governamentais não pode ser tratado como negacionismo.

Instantâneos

O destino romântico de Herculano permitiu-lhe o refúgio bucólico para Vale de Lobos, enquanto a desilusão crescia até ao desespero. A nós resta-nos beber o cálice até ao fim, enquanto murmuramos a frase do velho liberal. Não mudamos nada.

Os sonâmbulos

Uma lei que incumbe o Estado de proteger os cidadãos da desinformação (leia-se: mentira) deveria ser o suficiente para arrepiar qualquer pessoa com mediana memória e um módico de decência.

O nosso crocodilo

Cem anos após a sua fundação, talvez valha a pena lembrar que a liberdade e a democracia em Portugal – com todas as suas imperfeições – foram conquistadas também contra o PCP.

Um país triste

O excesso erode a gravitas da personalidade e a importância da palavra. Diminui-lhe a eficácia. A morte de Ihor Homeniuk exigia palavra e acção por parte do homem que sempre falou. Não mereceu nem uma coisa nem outra.

Olhar para o dedo

Uma coisa parece certa: não é possível derrotar os que nos ameaçam sem compreender as razões de quem os apoia. E às vezes essa vitória implica pactuar com o próprio diabo – pois nele votaram pessoas que vivem ao nosso lado.

Sem emenda

Ter de explicar que debater livremente propostas com perspectivas ideológicas distintas é um dos traços definidores da democracia é quase embaraçoso. Não é preciso restringir a liberdade por decreto. Neste país a servidão é voluntária.

Figuras menores

A fiscalização escrupulosa da atuação de um Governo com poderes acrescidos sobre uma população é precisamente o que uma oposição patriótica deve fazer. E senão nessa altura, quando?

Duas tragédias

É urgente que os governantes não escondam que podemos viver uma segunda tragédia na sequência das medidas adoptadas para combater a primeira. Querer inocular esperança a um país sem lhe dizer toda a verdade é uma outra forma de mentir.

Degradações

Tornou-se velha e enfadonha a prédica segundo a qual “os partidos têm de se abrir à sociedade civil”. Se quisessem por em prática o que pregam, então o caminho talvez passasse por convencer a “elite” a ingressar na vida pública.