O Fado do Gambozino

Há uns dias atrás discutíamos entre amigos gambozinos, em preparação para o Raio, o que é que nos fazia verdadeiramente aderir a esta causa, e ‘vestir a camisola’ GBZ.

Há uns dias atrás discutíamos entre amigos gambozinos, em preparação para o Raio, o que é que nos fazia verdadeiramente aderir a esta causa, e ‘vestir a camisola’ GBZ. As opiniões dividiam-se, entre os que achavam que o que nos liga são as relações de amizade com pessoas concretas, que nos chamam para o movimento, e os que achavam que há uma causa, um conjunto de princípios a que aderimos por convicção.

Claro que a conclusão inevitável (e pouco satisfatória para os amantes da boa discussão) é que as duas coisas se conjugam para que estejamos de coração a levar a GBZ para diante. Mas esta conversa fez-me relembrar aquilo que quis expressar quando escrevi o poema para o Fado do Gambozino.

Eu não sou poeta. Mas sou fadista. Escrevo poemas para os cantar, porque acredito que um verdadeiro fadista deve cantar aquilo em que acredita, com que se identifica, aquilo que sente. E por isso, naquela altura, decidi escrever um poema para cantar na Noite de Fados dos Gambozinos, na tentativa de ser uma espécie de lema, mas, na verdade, revelando o que me dizia a mim, o nosso movimento.

Acho que foi em 2008. Estávamos a preparar a segunda edição dos Gambozinos by Night (noite de fados de angariação de fundos). Como já se apresentava como uma possível tradição, numa fase de grande crescimento do movimento, achámos que a ocasião merecia uma letra de fado dedicada aos Gambozinos, para acabar a noite. E fiz-me ao trabalho, entre montagens de mesas e tarefas variadas.

A primeira estrofe não tem grande riqueza de significado. Surgiu mais como uma brincadeira com a letra original do fado Tudo isto é fado, celebrizado por Amália Rodrigues, e escolhido por ser conhecido de todos, para que todos pudessem cantar!

No refrão procurei sintetizar o que são os Gambozinos, ou talvez o que são para mim os Gambozinos: das atividades à essência, dos campos à relação com pessoas de meios tão diferentes, dos “dias fixes” e explicações à relação com Jesus e à procura do Maior bem.

A segunda estrofe é a que tem a ver com a tal discussão de que falava no princípio. Depois de, enquanto participante, me ter encantado com as pessoas e divertido com as atividades dos Gambozinos, quando cheguei a animador fui percebendo que o modo de agir e de viver gambozínicos, os valores e critérios, se aproximavam muito daquilo que eu acreditava ser a missão cristã, e a maneira como toda a gente devia viver, para que o Reino de Deus existisse na Terra. E isso deu-me grande alento para me entregar à causa de todo o coração.

Fui à caça ao gambozino, e apanhei uma Missão!

 

Perguntaste-me outro dia

O que é um gambozino

Disse que não existia

Que eram coisas de menino

Mas bastou-me ir a Peniche

Braga, Lisboa ou Pragal

P’ra ver que não é de um bicho

Que tu falas afinal

 

Campos de férias, jogos, matérias de explicação

E amizades entre verdades sem relação

Em cada dia a alegria ter por destino

E olhos em Cristo, é tudo isto ser Gambozino

 

Descobri que este ser

É uma forma de vida

Não só coisas para fazer

Mas postura defendida

Amar e servir são hino

Desta grande associação

Fui à caça ao gambozino

E apanhei uma Missão

 

 

Zezé Souto Moura