Margarida e Rafael Lucas Pires

Um campo de “Gambozinos”! Corria o ano de 1997 (ou seria 98). Fomos desafiados para fazer um campo de férias de “Gambozinos”? Repita lá isso!

Um campo de “Gambozinos”! 

Corria o ano de 1997 (ou seria 98). Fomos desafiados para fazer um campo de férias de “Gambozinos”? Repita lá isso! Mas o que eram os “Gambozinos”? Até àquela data gambozinos eram aquelas “coisas” imaginárias, que nas noites das férias (normalmente de Verão), em casa dos nossos avós, desafiados pelos primos mais velhos (ou mesmo algum tio mais brincalhão), fingíamos que caçávamos no jardim. Às escuras, sem lanterna, procurávamos nas sombras “coisas” que não tínhamos a certeza se existiam e nas quais não sabíamos se havíamos ou não de acreditar (sem nunca dar “parte fraca”, claro… que podia dar mau resultado)! Não nos lembramos bem como acabava a “caça”, e que sustos levávamos, pelo meio, até nos esquecermos completamente desses tais de gambozinos até ao próximo Verão, ou até nos atrevermos a assustar algum outro mais novo do que nós…

Nesse ano, contudo, tudo mudou. Venham fazer connosco um “campo de Gambozinos” foi a proposta do Lourenço Eiró! Um campo que mistura gente de sítios e realidades diferentes, juntos no essencial. Já tínhamos participado em campos do Camtil e dos Campinácios (já sabíamos que um campo era sempre uma semana inesquecível, uma semana de aproximação e de maior intimidade com Deus, em companhia com outros. Uma semana que não queríamos nunca ver terminar). Vamos a isso!

Assim foi, o local foi fácil de arranjar, a Quinta do Pouchão, em Abrantes. Muita sombra, muita água (de uma lagoa e de um tanque), bons sítios para o jogo do Pisca (sem este jogo não havia campo) e muita alegria! O Lourenço liderava as tropas e o Abel Bandeira era o capelão, de sorriso largo e viola em punho. Os animadores vinham de sítios diferentes (Lisboa, Santo Tirso, Coimbra, Braga e Viana do Castelo!). Mas o melhor foi, sem dúvida, o conjunto dos participantes: vieram de Lisboa (do Colégio de São João de Brito) e de Braga, muito diferentes e, afinal, todos iguais – de coração cheio e luz própria, prontos para a alegria verdadeira. Gambozinos, de raça, a sério. De quem nunca mais nos esquecemos.