Linhas de fundo 2021/22 – P’ra onde é que eu vou?

(...) as linhas de fundo deste ano servem de antídoto para o esquecimento que nos faz perder a garra: (para nos lembrar de procurar sempre o porquê de estarmos aqui, e para quê/onde queremos caminhar).

Uma pergunta, uma história, uma canção.

1.     Uma pergunta

Este ano as linhas de fundo são uma pergunta.  “Então, mas estas linhas não servem para nos orientar?”, perguntará o gambozino, e bem. “Como é que uma pergunta me orienta? Perguntas já eu tenho, e não são poucas.”

É verdade, sim senhor. Mas aqui esta pergunta não vem só. É uma pergunta que evoca uma canção, que tem sido hino do tanto que vivemos e desejamos viver nos gambozinos. E, acompanhada de um texto do Evangelho, serve para nos lembrar de procurar o que é realmente importante na nossa missão.

Dizia um senhor chamado Séneca (pouco mais velho que Jesus) e relembram-nos muitas vezes os jesuítas que nos acompanham, que “quem não conhece o porto que procura nunca encontrará ventos favoráveis”.

É disto que nos queremos lembrar quando fazemos a tal pergunta. De perguntar também: quais são os “ventos favoráveis”? No mesmo texto, Séneca acrescenta:

“Sempre que queiras saber qual a atitude a evitar ou a assumir, regula-te pelo bem supremo, pelo objetivo de toda a tua vida. (…)

Nenhum pintor, mesmo que tenha as tintas preparadas, consegue representar o que quer que seja se não tiver uma ideia definida do que quer pintar. (…)

O arqueiro, ao disparar uma flecha, deve conhecer o alvo que pretende atingir para poder apontar e regular a força do disparo.

As nossas deliberações serão vãs desde que não tenham um alvo preciso a atingir”.

Séneca, Cartas a Lucílio

Santo Inácio traduziu a mesma ideia em menos palavras, talvez mais certeiras ainda:

“(…) da nossa parte, (…) somente desejemos e escolhamos o que mais nos conduz para o fim para que somos criados.” [EE 23]

Não basta, então, saber para onde vou (o que quero pintar, qual é o meu alvo, para que fui criado, para que faço parte dos gambozinos, porque sou animador…), mas importa escolher o que mais me ajuda a chegar lá.

Para ser bom animador, preciso de saber para quê e por Quem o faço. De onde vem esta vontade de aproximar crianças e jovens de lugares e vidas tão diferentes, e para que serve estarmos a dar tantas horas da nossa vida (por si já tão ocupada) a esta cena? O que queremos com isto? Tudo nasce a partir dessa pergunta.

Na verdade, as linhas de fundo deste ano servem de antídoto para o esquecimento que nos faz perder a garra: para nos lembrar de procurar sempre o porquê de estarmos aqui, e para quê/onde queremos caminhar. Servem de lembrete, como um alarme no telefone: não faças ou decidas as coisas só porque sim, porque sempre se fez assim, porque alguém te disse ou porque te apetece nesse momento. Procura o melhor. Procura aquilo que melhor corresponde à missão que te foi confiada nos Gambozinos. E questiona tudo o resto – para onde te leva?

E o que é que nós, gambozinos, queremos, acima de tudo?

Há quem diga passar umas tardes fixes no P3, outros dirão fazer uns amigos improváveis a jogar à bola no Monte ou nas Andorinhas, outros ainda que somos loucos e gostamos é de ir para o meio do nada durante 10 dias e, quem sabe, encontrar Deus num survivor. Tudo uma maravilha. Mas tudo serve o mesmo propósito, que está acima de tudo e não podemos perder de vista: ajudar a construir o Reino já aqui, uma pedra de cada vez. O lugar onde há paz, justiça e alegria entre todos e que o nosso Gambozino nos veio mostrar na Sua vida. Com a imagem do que queremos e o alvo bem claros na nossa mira, seremos pintores e arqueiros cada vez mais habilidosos.

 

2.     Uma história

E como é olhando para a vida de Jesus que a nossa se torna clara, este ano seguimos de perto um texto do evangelho de S. Lucas, os discípulos de Emaús.

“Abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-no, mas Ele deixou de lhes ser visível. Diziam, então, um ao outro: “Não nos ardia o nosso coração quando Ele no caminho nos falava e abria as Escrituras? E, levantando-se, nessa mesma hora voltaram para Jerusalém.”

Lc 24, 31-33

Neste episódio, dão-se três movimentos importantes na vida destes amigos de Jesus.

O primeiro: aproximam-se de Jesus; ou melhor, Jesus aproxima-se deles. Põe-Se a caminho com eles, conversa, ensina, senta-Se com eles à mesa.

O segundo: reconhecem-No, ao partir do pão. Recordam como o encontro com Ele os transforma.

O terceiro: “nessa mesma hora”, põem-se a caminho de Jerusalém, para anunciar que Jesus ressuscitou.

Este ano, nos gambozinos, procuramos também passar por estes três movimentos: deixar que Jesus se aproxime, reconhecê-Lo e ir anunciar o Evangelho com toda a pressa. Para onde vamos? Para onde formos chamados a anunciar que Jesus está vivo.

 

3.     Uma canção

P´ra onde é que eu vou?

Não sou cobarde,

não vou deixar a vida p’ra mais tarde.

Ponho-me a andar,

p’ra encontrar vida.

Se não sei onde vou, ando à deriva.