Morte, posse e liberdade
Talvez por isso haja algo profundamente inquietante nesta vontade tecnológica de reconstruir os mortos. Não porque uma máquina possa aprisionar uma alma, mas porque queremos vencer o limite da perda.
Talvez por isso haja algo profundamente inquietante nesta vontade tecnológica de reconstruir os mortos. Não porque uma máquina possa aprisionar uma alma, mas porque queremos vencer o limite da perda.
Discernir implica dosear. E dosear tornou-se uma das tarefas difíceis da nossa era digital. Vivemos cercados de possibilidades, mas em défice de consciência, pois a consciência precisa de interioridade. E a interioridade tornou-se um luxo.
A fé cristã sempre desconfiou da “messianização” do poder. Recusa aceitar uma ordem que abdica de o limitar porque antecipa o custo para a humanidade mais frágil.
Para onde nos leva a nossa tolerância? O que estamos a instaurar quando confundimos proteger minorias com suprimir o debate?
A força da democracia não está na unanimidade, mas na capacidade de sustentar a diferença sem a anular.
Fugir à construção de muros e ao discurso do desacordo é um dever cristão. Em vez de nos afastarmos da realidade, devemos abraçá-la na sua pluralidade e na sua beleza.
Quando um Estado promove como desígnio a eliminação das fronteiras da vida e das liberdades básicas, por maior consenso que exista, não há legitimidade que lhe valha.
É exatamente o diálogo saudável que é urgente recuperar, não cedendo à velha tentação, tão soberba e contrária à necessária humildade académica, da imposição de uma perspetiva pela força ou por recursos não éticos.
As instituições estão minadas, porque a nossa democracia nunca soube criar verdadeiros freios e contrapesos do poder, antes o prefere (sempre o preferiu) paternalista, centralista, absoluto.
A sacralidade da vida humana (a sua dignidade) não depende de absolutamente mais nada para além dela mesma, querida e amada por Deus tal como é.