Este verão, a CVX-Portugal, a par com outras comunidades nacionais da CVX, enviou duas jovens (no nosso caso, duas Franciscas) a participar no jubileu da juventude em Roma. Os jovens enviados integraram uma delegação da CVX mundial para o evento. Para nós as duas, foi um privilégio ser enviadas pela nossa comunidade. Aquela semana foi uma dádiva cujos frutos estamos ainda a colher.
Foi uma semana para viver o Jubileu da Esperança. Uma semana para recomeçar, para fazer experiência do perdão, parar e voltarmo-nos para Deus. Vivemos momentos especiais que nos fizeram sentir em comunhão com o Papa, com a Igreja Católica, verdadeiramente universal, e os seus jovens do mundo inteiro. Na missa de acolhimento, tomámos consciência dos milhares de pessoas dos quatro cantos do mundo que se reuniam ali, com um mesmo objetivo – o encontro com Jesus Cristo vivo. Tivemos a surpresa de ver pela primeira vez o Papa Leão XIV, que nos lembrou que os nossos gritos de Paz e Esperança ecoariam por todo o mundo. No dia da reconciliação, fizemos experiência concreta da misericórdia de Deus. Lado a lado com jovens de todo o mundo, reconhecemo-nos uma vez mais enquanto pecadores amados, e quão amados… Em Tor Vergata, o Papa Leão, juntamente com 1 milhão de jovens, ajoelhou-se em adoração a Jesus presente diante de todos nós. Fizemos silêncio, rezámos em conjunto, deixamo-nos tocar pela loucura do amor de Jesus. Na missa final, fomos enviados para dar testemunho da “Esperança que nunca desilude”.
Mas, para nós, esta semana foi duplamente especial, porque pudemos viver este jubileu em CVX. Não só fizemos experiência da universalidade da Igreja, mas também da nossa comunidade de vida cristã. 20 jovens de 16 Nacionalidades diferentes unidos numa mesma delegação: Portugal, Espanha, Alemanha, Polónia, Malta, Egipto, Quénia, Zimbabué, Hong Kong, Filipinas, Canadá, EUA, México, Chile, Guatemala, Brasil. Todos nós enviados pelas nossas comunidades locais e nacionais, e enviados por esta comunidade mundial a que todos pertencemos, que é a CVX. Todos nós com um objetivo: partilhar o que é ser CVX e sonhar o futuro nesta comunidade.
Este grupo de pessoas desconhecidas, de tantas nacionalidades e culturas diferentes, foi, desde o primeiro dia, comunidade verdadeira. Por mais surpreendente que tenha sido, mesmo para quem o estava a viver! Desde o início, todos partilhámos com completo à vontade, de forma genuína e verdadeira, fomos nós próprios, sem máscaras ou medos. Sentimo-nos, em comunidade, tal e qual como nos nossos pequenos grupos CVX. Tínhamos histórias diferentes, personalidades diferentes, vínhamos de culturas diferentes e até falávamos línguas diferentes. Mas descobrimos que era mesmo nessas diferenças que encontrávamos uma linguagem comum, um caminho comum, uma busca por um fim comum, uma procura por um mesmo estilo de vida. Não apesar da diferença, mas nela. Sentimo-nos escutados, acolhidos, amados. Que graça esta que encontrámos! Que graça é pertencer a uma comunidade que torna isto possível!
Começámos a semana com uma caminhada empática, com partilha a pares, depois em grupos de 4 e de 8, onde partilhámos e escutámos sobre quem somos, a nossa história na CVX e as realidades da CVX nos nossos países e comunidades locais. Ao longo da semana, fomos tendo momentos de oração pessoal e partilha em grupos. Todos os dias, a oração da manhã foi preparada por uma equipa de um continente diferente. Tivemos a oportunidade de celebrar o Dia de Santo Inácio com a família Inaciana em Roma, na missa com o Geral da Companhia. E para encerrar a semana, celebrámos a missa de ação de graças no quarto de Santo Inácio, no colégio do Gesú!!
Esta experiência deu-nos a conhecer diferentes formas de ser e estar na Igreja e na CVX, diferentes formas de rezar dentro de um mesmo formato e linguagem. Deu-nos a conhecer novas faces de um mesmo Deus, de um mesmo Jesus. Percebemos também, pelos vários momentos de partilha e conversas entre nós, que mesmo em realidades diferentes, é mais o que temos em comum. As problemáticas, dificuldades e desafios vão se repetindo. As vontades, necessidades e sonhos são semelhantes por este mundo fora. Os temas que temos vindo a falar, em Portugal, as nossas preocupações, sentem-se um pouco por toda a parte.
Pelas diferentes partilhas, confirmámos como a CVX pode ser fonte de crescimento espiritual, e especialmente para os jovens, de forma tão concreta. Confirmámos como dá resposta a este anseio global dos jovens de discernir a vida, aprender a viver mais unido a Deus em todos os aspetos do nosso dia-a-dia, encontrar o nosso lugar no mundo. Confirmámos os frutos de uma vida assente na espiritualidade Inaciana e vivida de forma comunitária. Confirmámos os frutos da partilha de oração e da escuta orante do outro que partilha comigo. Partilhámos diferentes formas de fazer, diferentes propostas para problemas comuns. Construímos relações e sonhámos projetos futuros. Demos tempo para rezar e discernir em comunidade o que é hoje e o que sonhamos que a CVX seja no futuro. Ao longo desta semana e deste processo, algumas palavras foram soando, ecoando e sendo repetidas: comunidade, partilha, acolhimento, discernimento, crescimento espiritual, escuta, reconciliação, comunicação, missão e apostolado, lugar para todos, ir ao encontro, fazer caminho, Esperança. A partir delas algumas necessidades e ações concretas foram discernidas e serão a seu tempo partilhadas com a comunidade.
Todos nós, ali reunidos em comunidade e em representação de uma comunidade muito maior, tivemos sempre muito presente que fomos enviados pelas nossas comunidades nacionais. Todos estávamos desejosos de poder partilhar com as nossas comunidades tudo o que estávamos a viver e os seus frutos. Todo o bem recebido, não é para ficar guardado, mas para partilhar, cultivar e cuidar, para que dê muitos frutos por toda a parte. No dia 5 de agosto, voltámos para casa já com saudades de cada um dos amigos e companheiros no Senhor, que fizemos naquela semana. Mas voltámos também com muita Esperança no futuro e no trabalho que está ainda a começar.
Maria Francisca Silva e Maria Francisca Negrão
