Cordas de amarração
São as mãos da minha avó e eu sei que elas nasceram para amar, tudo o resto é uma variação dessa linguagem.
São as mãos da minha avó e eu sei que elas nasceram para amar, tudo o resto é uma variação dessa linguagem.
Mesmo numa cidade turbulenta, conseguimos encontrar oásis de calma. Conheço não crentes que entram numa igreja quando precisam de um refúgio. Com ou sem fé, sabemos que ali podemos estar connosco, com Deus, com tudo o que habita em nós.
O silêncio. O cheiro bom da primeira chuvada do Outono a encharcar a terra seca. A ternura, mil vezes, a ternura e o espanto.
Um livro que é uma profunda meditação sobre o milagre do planeta Terra e sobre a nossa humanidade
O segredo está no olhar e no que podemos fazer com aquilo que os olhos captam, mas nem sempre vêem. Eu, que no final de cada dia me vejo obrigada a recolher loiça de todas as mesas da casa, jamais me lembraria de o reparar.
O Outono é o tempo dessa renovação visível, em que o que é largado fecunda o chão que vamos pisar mais à frente, deixando o ramo limpo para o que há de nascer.
É um bom livro, mas é um livro difícil e, no entanto, quem é que disse que a leitura tem de ser fácil, às vezes, temos de olhar uma natureza morta o tempo suficiente para descobrirmos que, afinal, é bela e está carregada de vida.
Ao lermos juntas, há uma teia que se tece e que nos aproxima. O livro é a agulha que passa pela trama, a linha com que nos cosemos em diferentes texturas e tons.
No pós quarentena, há uma abertura de coração que vamos ter de praticar. E o nosso Papa anda a falar disto há anos: passar do consumo desenfreado ao sacrifício, da avidez à generosidade, do desperdício à partilha.