Oração Inaciana – Sempre tereis pobres entre vós (Mc 14, 7)

No passado dia 17 de novembro, a Região Sul realizou a primeira Oração Inaciana do ano em formato presencial. Partilhamos aqui o guião da oração, da autoria do grupo JB, para que possa ser rezado também por quem não esteve presente.

 

Guião da Oração Inaciana 

“Sereis pobre entre vós”
(MC 14,7)

Autoria do grupo JB.

Cântico

Quem as mãos estende,
Quem sabe dar valor,
E quem nunca se cansa
Sabe de Amor.

Quem, cada manhã,
Saúda alegre o sol;
Quem é forte, quem vive,
Sabe de Amor.

Quem não se retira,
Quem cuida com amor,
Quem as portas não fecha,
Sabe de Amor.

Quem assim procede,
Caminha até à Luz,
Pode até não saber,
Mas segue Jesus.

 

Prece Inicial

Senhor Jesus Cristo, és Tu o primeiro pobre, o mais pobre dos pobres, porque os representas a todos.
O rosto de Deus que nos revelas  é o de um Pai para os pobres e próximo dos pobres.
Toda a Tua obra afirma que a pobreza é sinal concreto da Tua presença  no meio de nós.
Os pobres que temos connosco são Teu sacramento.
Pedes-nos para Te reconhecermos na sua vida, deixando-nos evangelizar através deles.
Ensina-nos a emprestar-lhes  a nossa voz nas suas causas,  mas também a ser seus amigos, a escutá-los,  a compreendê-los  e a acolher a misteriosa sabedoria  que o Pai nos quer comunicar através deles.
Chamas-nos a abrir o nosso coração para reconhecer as múltiplas expressões de pobreza, manifestando o Teu Reino através dum estilo de vida coerente com a fé que professamos.
Se não reconhecermos os pobres, atraiçoamos o Teu  ensinamento e não podemos ser Teus discípulos.
Espírito Santo, amor do Pai e do Filho  derramado nos nossos corações,
Tu pedes-nos que vamos ao seu encontro no lugar onde se encontram, a abraçá-los com ternura.

 

1. Pobreza e Estilo de Vida Simples

 

Graça a pedir: Que eu possa ir aprendendo de Ti a ser pobre

 

«Não vos inquieteis com o que haveis de comer ou beber, nem andeis ansiosos, pois as pessoas do mundo é que andam à procura de todas estas coisas; mas o vosso Pai sabe que tendes necessidade delas. Procurai, antes, o seu Reino, e o resto vos será dado por acréscimo.»
(Lc 12; 29-31)

Da mensagem do Papa Francisco para o V Dia Mundial dos Pobres:

«Seguir Jesus comporta uma mudança de mentalidade a esse propósito, ou seja, acolher o desafio da partilha e da comparticipação.

A pobreza é uma atitude do coração que impede de conceber como objetivo de vida e condição para a felicidade o dinheiro, a carreira e o luxo. Mais, é a pobreza que cria as condições para assumir livremente as responsabilidades pessoais e sociais, não obstante as próprias limitações, confiando na proximidade de Deus e vivendo apoiados pela sua graça. Assim entendida, a pobreza é o metro que permite avaliar o uso correto dos bens materiais e também viver de modo não egoísta nem possessivo os laços e os afetos (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 25-45).»

Como seria evangélico, se pudéssemos dizer com toda a verdade: também nós somos pobres, porque só assim conseguiríamos realmente reconhecê-los e fazê-los tornar-se parte da nossa vida e instrumento de salvação.»

 

Pontos de oração:

  • A que conversão pessoal sou chamado para ser mais pobre?

Tempo de Silêncio

 

Cântico

Felizes os pobres
porque deles é o reino de Deus

 

2. Sensibilidade à pobreza

 

Graça a pedir: Senhor, que eu veja o rosto do necessitado

 

«Se houver junto de ti um indigente entre os teus irmãos (…), não endurecerás o teu coração e não fecharás a tua mão ao irmão necessitado. Abre-lhe a tua mão, empresta-lhe sob penhor, de acordo com a sua necessidade, aquilo que lhe faltar. (…) Deves dar-lhe, sem que o teu coração fique pesaroso; porque, em recompensa disso, o Senhor, teu Deus, te abençoará em todas as empresas das tuas mãos. Sem dúvida, nunca faltarão pobres na terra»
(Dt 15, 7-8.10-11).

 

Da mensagem do Papa Francisco para o V Dia Mundial dos Pobres:

«Jesus não só está do lado dos pobres, mas também partilha com eles a mesma sorte. Isto constitui também um forte ensinamento para os seus discípulos de todos os tempos. As suas palavras – «sempre tereis pobres entre vós» – pretendem indicar também isto: a sua presença no meio de nós é constante, mas não deve induzir àquela habituação que se torna indiferença, mas empenhar numa partilha de vida que não prevê delegações.

Enfim os crentes, quando querem ver Jesus em pessoa e tocá-Lo com a mão, sabem aonde dirigir-se: os pobres são sacramento de Cristo, representam a sua pessoa e apontam para Ele.

É decisivo aumentar a sensibilidade para se compreender as exigências dos pobres, sempre em mutação por força das condições de vida.»

 

Pontos de oração:

  • Trago à memória encontros que tive com pessoas que vivem na pobreza – os seus rostos, as suas palavras, os seus pedidos.
  • Quem são os mais pobres no meu contexto atual? Sei os seus nomes? Conheço as suas necessidades? Que me revelam de Deus?

Tempo de Silêncio

 

Cântico

O Senhor me fortalece,
Ele está sempre a meu lado,
O Senhor que vem ao meu encontro,
vem ao meu encontro.

 

3. Deixar-se evangelizar pelos pobres

 

Graça a pedir: Senhor, que eu descubra o Teu rosto na amizade com os pobres

«Irmãos, já que sobressaís em tudo – na fé, na eloquência, na ciência, em toda a espécie de atenções e na caridade, que vos ensinámos – deveis também sobressair nesta obra de generosidade. Conheceis a generosidade de Nosso Senhor Jesus Cristo: Ele, que era rico, fez-Se pobre por vossa causa, para vos enriquecer com a sua pobreza. Não se trata de vos sobrecarregar para aliviar os outros, mas sim de procurar a igualdade. Nas circunstâncias presentes, aliviai com a vossa abundância a sua indigência, para que, um dia, eles aliviem a vossa indigência com a sua abundância. E assim haverá igualdade, como está escrito: “A quem tinha colhido muito não sobrou, e a quem tinha colhido pouco não faltou».
(2Coríntios  8,7.9.13-15)

 

Da mensagem do Papa Francisco para o V Dia Mundial dos Pobres:

«Jesus recorda-lhes que Ele é o primeiro pobre, o mais pobre entre os pobres, porque os representa a todos. Os pobres são verdadeiros evangelizadores, porque foram os primeiros a ser evangelizados e chamados a partilhar a bemaventurança do Senhor e o seu Reino (cf. Mt 5, 3)

Os pobres de qualquer condição e latitude evangelizam-nos, porque permitem descobrir de modo sempre novo os traços mais genuínos do rosto do Pai. Eles «têm muito para nos ensinar. Além de participar do sensus fidei, nas suas próprias dores conhecem Cristo sofredor. É necessário que todos nos deixemos evangelizar por eles.

Somos chamados a descobrir Cristo neles: não só a emprestar-lhes a nossa voz nas suas causas, mas também a ser seus amigos, a escutá-los, a compreendê-los e a acolher a misteriosa sabedoria que Deus nos quer comunicar através deles. O nosso compromisso não consiste exclusivamente em ações ou em programas de promoção e assistência; aquilo que o Espírito põe em movimento não é um excesso de ativismo, mas primariamente uma atenção prestada ao outro, considerando-o como um só consigo mesmo.»

 

Pontos de oração:

  • Recordo alguma situação em que Deus me falou através de alguém em situação de pobreza.

Tempo de Silêncio

 

Cântico

Ubi caritas
et amor
Ubi caritas
Deus ibi est

 

4. Criatividade apostólica

 

Graça a pedir: Que eu me desinstale e procure novos caminhos de amizade com os mais pobres

«Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo;
há diversidade de serviços, mas o Senhor é o mesmo; há diversos modos de agir, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito, para proveito comum.»
(1Cor. 12; 4-7)

 

Da mensagem do Papa Francisco para o V Dia Mundial dos Pobres:

«(…) é decisivo dar vida a processos de desenvolvimento onde se valorizem as capacidades de todos, para que a complementaridade das competências e a diversidade das funções conduzam a um recurso comum de participação. Há muitas pobrezas dos «ricos» que poderiam ser curadas pela riqueza dos «pobres», bastando para isso encontrarem-se e conhecerem-se. Ninguém é tão pobre que não possa dar algo de si na reciprocidade. Os pobres não podem ser aqueles que apenas recebem; devem ser colocados em condição de poder dar, porque sabem bem como corresponder.

(…) um gesto de beneficência pressupõe um benfeitor e um beneficiado, enquanto a partilha gera fraternidade. A esmola é ocasional, ao passo que a partilha é duradoura. A primeira corre o risco de gratificar quem a dá e humilhar quem a recebe, enquanto a segunda reforça a solidariedade e cria as premissas necessárias para se alcançar a justiça.

Impõe-se, pois, uma abordagem diferente da pobreza. Com grande humildade, temos de confessar que muitas vezes não passamos de incompetentes a respeito dos pobres: fala-se deles em abstrato, fica-se pelas estatísticas e pensa-se sensibilizar com qualquer documentário. Ao contrário, a pobreza deveria incitar a uma projetação criativa, que permita fazer aumentar a liberdade efetiva de conseguir realizar a existência com as capacidades próprias de cada pessoa.»

 

Pontos de oração:

  • A que compromissos pessoais e comunitários me chama o Senhor para ir ao encontro dos sonhos e esperanças dos mais pobres?

Tempo de Silêncio

 

Cântico

O Reino de Deus
é um Reino de paz,
justiça e alegria.
Senhor, em nós vem abrir
as portas do Teu Reino