Oração de abertura do Ano Inaciano

A comunidade inaciana internacional reuniu-se em oração no passado dia 23 de maio: com o P. Arturo Sosa, SJ, Superior Geral da Companhia de Jesus, e com o Papa Francisco.

Como não podia deixar de ser, foi em oração que se abriu o Ano Inaciano. Depois de várias missas celebradas a 20 de maio, nos 500 anos da ferida de Pamplona, espalhada pelos quatro cantos do mundo, a comunidade inaciana reuniu-se em oração. Foi no passado dia 23 de maio: com o P. Arturo Sosa, SJ, Superior Geral da Companhia de Jesus, rezámos juntos ao túmulo de Inácio na Chiesa del Gesù, em Roma.

Aquela sua ferida de Pamplona levou-nos a meditar como a fragilidade – ou, até mesmo, o fracasso – se pode tornar lugar de encontro com Deus. Um encontro que não se confunde com um “final feliz”: talvez, apenas seja um “começo feliz”, muito embora, como toda e qualquer ferida, se nos apareça difícil e penoso. Pois, é assim que vamos recentrando nossas vidas em Cristo. Nesse sentido, as palavras do Santo Padre, o Papa Francisco, nutriram a esperança que a vida de Inácio confirma. Se a ferida foi o início de uma conversão, tratou-se certamente de uma conversão que não aconteceu instantaneamente. Antes, foi um caminho, uma peregrinação, uma conversão do dia-a-dia que jamais termina nesta terra. Ao desencadear um processo de conversão, essa ferida não se limita a destruir sonhos antigos, centrados num mundo vazio. Mais do que destruir sonhos, a ferida transforma-os num sonho ainda maior. Trata-se de sonhar e caminhar em direção a uma vida cheia do amor de Deus. Compreendemos, assim, as palavras do peregrino que, ao se sentir profundamente amado por Deus em Manresa, passou a ver novas todas as coisas em Cristo.

A oração de abertura do Ano Inaciano foi uma experiência de Pentecostes. Pessoas de diferentes países entendiam-se ao comungarem do mesmo espírito. De facto, em comunhão com Deus e uns com os outros, estávamos unidos apesar de rezarmos em diferentes idiomas e a partir de culturas distintas. É belo perceber como a experiência de Inácio não se fechou só nele, nem sequer na Companhia por ele fundada ou no tempo histórico onde ele viveu. Como é belo acolher os testemunhos de tantas pessoas que se deixam tocar pela experiência de Inácio e que continuam a sua peregrinação procurando encontrar Deus em todas as coisas. Sem dúvida, o Ano Inaciano é uma oportunidade de revisitarmos a vida deste santo que se considerava um simples peregrino, de forma a experimentarmos ao nosso modo o que ele com Deus viveu.

 

#Ignatius500