Carmo Moraes, animadora

Quando me pediram para escrever o meu testemunho fiquei MESMO contente! E depois cheguei à conclusão que não sabia por onde é que haveria de começar e como acabar. Se eu escrevesse sobre o que é que os gambozinos foram e são para mim provavelmente não saía daqui.

Quando me pediram para escrever o meu testemunho fiquei MESMO contente! E depois cheguei à conclusão que não sabia por onde é que haveria de começar e como acabar. Se eu escrevesse sobre o que é que os gambozinos foram e são para mim provavelmente não saía daqui.

Ora bem, onde é que isto tudo começou? Ahh! A primeira vez que ouvi falar dos gambozinos foi quando a minha mãe me inscreveu para um campo de férias dos gambozinos (nem eu sabia que me tinha inscrito), uma semana antes do campo a minha mãe avisou-me que ia para o campo, obviamente que não queria ir, queria ficar na quinta dos meus avós, não ia trocar a minha cama por um saco cama e trocar o meu chuveiro por um rio! Felizmente, a minha mãe obrigou-me a ir. Passado uma semana lá estava eu com uma mochila maior que eu e o meu lanchinho no saco de plástico na estação Santa Apolónia. Não conhecia ninguém, estava aterrorizada do facto de ficar 10 dias sozinha no meio do mato.
Finalmente pusemo-nos no comboio e lá começou a grande aventura. Acabei por fazer amigas e amigos no comboio, depois trocámos para o autocarro e lá chegámos ao campo. O diretor apresentou-se e apresentou o resto dos animadores, e depois mostrou-nos o campo! Foi aí que conheci pela primeira vez a latrina, o que é? Bem…não é uma retrete, isso podem ter a certeza que não é, mas fiquemos por aqui. De seguida, a zona de banhos, não, não havia chuveiros, a nossa banheira era um rio! Podem dizer adeus ao champô e ao amaciador meninas, só entra quem tiver sabão azul.
Uma vez tudo apresentado, no dia a seguir foram feitas as equipas, com quem fazíamos milhões de jogos, que deixava qualquer um exausto! Á noite havia aquela novela antes de te deitar que não vais querer perder por muito cansado que estejas. Depois a caminhada… a caminhada, umas mais fáceis que as outras, houve uma caminhada que subi uma montanha! Noutra caminhada dormimos num castelo em que o nosso teto era o céu!

Basicamente acampar é incrível, mas não é só isto, os gambozinos não só me mostraram o como é simplesmente bom estar rodeado pela Natureza como mostraram o que estava por trás dela. Quem é que nos proporciona isto tudo!? Deus. Ficávamos a conhecê-Lo a partir do BDS, bom dia senhor, a partir de um pequeno teatro ficávamos a conhecer Jesus e algumas das suas aventuras. Claro que já conhecia Deus, mas era aquela coisa das nossas mães obrigar-nos a ir à missa. E depois disto tudo, chega o fim. Aquele momento em que não queres voltar para casa, ainda querias ficar com os teus amigos e amigas, sem preocupações, sem escola! E tudo o que dizes à tua mãe quando chegas do campo é: “Mãe quero voltar para o ano!”
No entanto, os gambozinos não ficam por aqui, há atividades durante o ano inteiro. Foi aí que fiz grandes amigos, e nos campos também. Aliás, conheci as minhas melhores amigas nos gambozinos! E hoje, com muito orgulho sou animadora. Já animei E animo com pessoas extraordinárias que já me animaram e pessoas com quem fui animada.

E acho que fico por aqui, depois vem-me aquela pergunta que oiço várias vezes, dita pelo meu pai, a minha mãe, a minha família! Que é: “Vivias sem os gambozinos?”. A minha resposta é sempre a mesma: “Claro que vivia, mas definitivamente que não era mesma coisa…”