Compromisso permanente: «Não é o princípio nem o final, é uma necessidade»

Cinco pessoas da CVX-Sul realizaram o compromisso permanente no dia 30 de março, por ocasião da celebração do Dia Mundial da CVX. Trazemos o seu testemunho relatado a partir do percurso e vivência discernidos.

Diz o princípio 192 do Carisma da CVX que o compromisso permanente “é a culminação do discernimento vocacional, no qual expressamos o nosso desejo de descobrir a vontade de Deus e de realizá-la na nossa vida apostólica, em resposta ao nosso chamamento específico, e a nossa prontidão para sermos enviados em missão”.

 

Dos 12 membros que fizeram o compromisso permanente no dia 30 de março, por ocasião da celebração do Dia Mundial da CVX,  cinco são da Região Sul: a Ana, a Assunção, a Andreia, a Lúcia e a Maria Manuel. Trazemos o seu testemunho relatado a partir do percurso e vivência discernidos.


Estaríamos entre 1983/1984 quando Ana Melo Oliveira iniciou o seu percurso em CVX, na altura sob o convite do padre António Vaz Pinto, sj, para “sem iniciação ou preparação”, mas muito motivados, “fazer caminho em pequena comunidade”. Acompanhava-a o marido António, com quem casou em 1985, e, em casal, sentiam necessidade de percorrerem juntos uma fase que era totalmente nova: “Estávamos a sair da universidade e a integrar o mercado de trabalho; estávamos a fazer uma opção de estado de vida, optando por confirmar o nosso tempo de namoro com um Sim de vida em comum”, relembra Ana Melo Oliveira.

Novos caminhos a percorrer em conjunto, ao mesmo tempo que procuravam “renovação e reforço da vivência cristã”, o casal percebeu que em grupo podia “sentir a dois de forma mais profunda” e que a partilha quinzenal no grupo os confirmava no caminho escolhido. Ali permaneceram 25 anos, num itinerário que os levou à consolidação do seu matrimónio e “ao serviço de quem mais precisava”, no Bairro da Musgueira, em Lisboa.

O grupo inicial acabou por se desfazer, mas Ana integrou o grupo «ABBA», inicialmente acompanhada do marido, mas posteriormente sozinha.

 

Foi em casa que Assunção Mexia primeiro ouviu falar da CVX: “Os meus pais fizeram parte de um grupo desde que começou. O padre José Maria Rocha e Melo, sj, convidou os seus colegas do Técnico para formarem um grupo e lá por casa fomos ouvindo falar muito da CVX e de como os tinha ajudado a ver a vida de uma maneira diferente… Ficou lá a semente”, recorda.

Depois de se ter separado, e com quatro filhos a cargo, ruma a Évora para estar junto da mãe e organizar a sua vida. Em 1998, durante o Dia Mundial CVX, acompanhou a sua mãe a Fátima, e lembra o acolhimento e ambiente gerado, dando conta de uma “Igreja bem diferente daquela a que estava habituada”.

Em 2001 é convidada a integrar o grupo «Fermento» e nesta altura Assunção começa a sentir que o seu caminho em Igreja é este: “Em 2002 fiz os meus primeiros Exercícios Espirituais (EE) e isso mudou para sempre a minha vida! Foi um chegar a casa e um chamamento muito forte a ir discernindo o meu caminhar com este Cristo que me amava tal qual eu era, sem imposições nem restrições”.

 

Lúcia Barroso, em CVX há 14 anos, diz não se rever sem ser em CVX: “Eu não estou em CVX, eu sou CVX e quero sê-lo para o resto da minha vida. Assumir isto perante a comunidade local e nacional, faz-me todo o sentido”, afirma.

A pertencer ao grupo «Kairos», chegou a envolvimento em Igreja através de amigos que já pertenciam à CVX e, com eles, descobriu uma participação «espiritualmente madura»”, onde tinha a possibilidade de “integrar fé e vida”. Isso é, aliás, a vivência com que mais se identifica: “Esta forma de integrar a vida na oração e levar a oração para a vida”, num caminho individual partilhado numa comunidade de “escuta orante”.

Foi na ONGD Leigos para o Desenvolvimento que Andreia Carvalho conheceu a espiritualidade inaciana e, recorda, sentiu uma “nova conversão”. “Percebi que era muito militante e voluntarista em Igreja, mas nunca tinha perguntado a Deus se era essa a vontade Dele para mim. Nunca me tinha sentado a conversar verdadeira e seriamente com Ele e daí que os EE tenham sido uma maravilhosa e surpreendente descoberta de proximidade com Deus”.

Depois da sua missão em Moçambique, onde esteve dois anos, Andreia quis dar continuidade à oração comunitária que fazia e optou por fazer os EE da Vida Quotidiana. No final desse percurso, afirma, o normal foi fazer uma “aproximação da CVX, uma vez que era uma forma privilegiadamente inaciana de viver comunitariamente a fé e a vida”. Andreia Carvalho integra hoje o grupo «CIAO» (Com Inácio Aprendemos a Orar).

Participar em CVX é para Ana Melo Oliveira uma forma de viver a sua vida com exigência. “Descobri que a vida se vai vivendo, que é um caminho com uma direção, que pelo facto de estar em CVX me faz entender e agradecer não ser a direito, que a vida não se faz sozinha, nem que a felicidade se constrói sem nos darmos aos outros”, explica.

A CVX tornou-se, para Assunção Mexia, a sua maneira de ser e estar na vida. “Tanto na vida espiritual como social, aqui tornei-me aquilo que sou, aqui recebi muitas bênçãos e fui crescendo em conhecimento interno e amor a Deus”, assume.

Andreia Carvalho sublinha a importância de pertencer a uma comunidade que não escolheu mas lhe foi dada por Jesus: “O sentido comunitário que cresce sem ser necessário que exista inicialmente. Não são as pessoas que escolhemos, mas as que nos foram colocadas no caminho por Deus para apoiar e para nos apoiar no discernimento do quotidiano da Sua vontade para cada um”. O pendor laical é também sublinhado, uma vez que no itinerário dos grupos é proposto a pessoas “tão diferentes, em percursos de vida e fé, entendimentos e visões do mundo” que acompanhem espiritualmente outros, baseados numa “formação espiritual fora do comum e que ajudam especialmente na integração da fé e vida”.

Fazer o compromisso permanente foi para Ana Melo Oliveira a “confirmação do caminho até aqui”. “Tem sido gradual, e este, na prática já foi sendo assumido na CVX. Não é um princípio mas também não é um final. Diria que significa uma necessidade e talvez possa dizer obrigação de dar este testemunho à comunidade”. Membro da equipe regional, Ana Melo Oliveira quer continuar a estar disponível “de forma totalmente livre e discernida”, não apenas quando lhe parecer favorável mas “onde efetivamente for chamada, respondendo com alegria e disponibilidade de coração”.

Lúcia Barroso dá conta de que com o compromissso permanente, deseja “ser instrumento na construção do Reino”, no lugar e na forma “onde Ele entender”.

Depois de estar ligada à constituição da região de Évora, Assunção Mexia foi este ano desafiada a fazer o curso de Guias e, sentia ser este o momento para “assumir perante toda a comunidade” que se queria comprometer “para todo o resto da minha vida com ela e nela”. “Acho que tenho que agradecer tudo o que a CVX me ajudou a ser e a tornar-me, como pessoa e como cristã, e estou pronta a continuar a estar disponível para os desafios que o Senhor me for colocando”, assume.

Andreia Carvalho diz que fazer o compromisso é assumir “perante a comunidade e perante Deus” que este é o caminho dentro da Igreja, que foi construindo e confirmando, sabendo que assim se aproxima de Deus e das pessoas, mais ou menos próximas, e do mundo pelo qual todos são co-responsáveis.  Nos últimos anos Andreia foi animadora e integra a Equipa de Comunicação da Região Sul mas a sua disponibilidade para coisas diferentes em momentos diversos faz parte da vida. “Sabemos que Deus nos pede coisas diferentes em momentos diferentes da nossa vida e é essa atitude de permanente escuta orante que devemos manter e que, contribuindo para um mundo melhor, contribui inevitavelmente para a missão da Igreja”.

 

Lígia Silveira